O problema é o outro
- Bianca Lima
- 14 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 10 horas
Na época da faculdade, eu tive um professor que dizia que o maior problema do ser humano era o outro. Deixa eu contextualizar para que fique fácil compreender.
Quando ele dizia isso, ele estava dizendo que as nossas piores mazelas têm a ver com o fato de compararmos nossas experiências às do outro. E, de certa maneira, ele tinha razão.
Se nós conquistamos algo, nosso primeiro impulso é contar ao outro. E a forma como o outro reage a isso, muitas vezes determina a nossa forma de lidar com nossas próprias conquistas. Assim como, quando percebemos que temos alguma dificuldade, por exemplo, na escola, nós observamos os resultados dos nossos colegas, e se os resultados deles superam os nossos, isso pode virar um problema. Ou não!
De verdade, tudo o que vem do outro nos afeta de alguma maneira, tanto positiva, quanto negativamente. Nosso desafio é viver estas relações sem que elas nos deixem marcas. É aprender a construir a partir daquilo que nos atravessa.
Mas, em geral, o que nos acontece é um contraponto com aquilo que percebemos sobre nós mesmos. Tendemos a ver muito mais nossos defeitos do que qualidades, nos encaixamos em modelos que não correspondem a nossa verdadeira essência.
Isso tem a ver com um sentido de pertencimento, inerente a nós, humanos. Queremos ser vistos, reconhecidos, acolhidos ou amados, e se, por algum motivo, percebemos que estamos fora deste crivo, nos consideramos ruins, inadequados ou estranhos.
Teremos, sempre, que nos deparar com o outro, dentro ou fora de casa, em ambientes saudáveis ou hostis. Sempre haverá um balisador de quem somos ou deveríamos ser, para que sejamos aceitos na sociedade.
Mas quando construímos uma estrutura interna capaz de apenas "deixar passar", observando no que aquilo nos afeta, ou nos ensina, passamos por estes balisadores muito mais inteiros, muito mais conscientes de quem somos, e daquilo que faz ou não sentido para nós.
Nos fortalecer é o caminho mais saudável. Isso não quer dizer que não seremos afetados, e nem que não afetaremos alguém, mas uma vez que temos uma autoestima preservada, conseguimos compreender nossos limites e potencialidades, e passamos a caminhar na vida com a certeza de que estamos na direção certa, independente do que esbarre em nós.
Então, se ao invés de olharmos para o que vem, nos culpando ou nos machucando, conseguirmos compreender que: "Ok! Sou assim, e tudo bem!", talvez passemos pela vida de forma muito mais amorosa, e feliz!
Claro que, podemos ser críticos no sentido de compreender em que podemos melhorar - esse é o sentido da evolução. E se pudermos pegar um pouquinho mais leve com nós mesmos?!
Vamos olhar pra você?





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