Sobre sentir
- Bianca Lima
- 24 de abr.
- 2 min de leitura

Desde muito cedo nós somos levados a crer que determinados sentimentos são ruins e quase proibidos. Seja por uma ideia trazida das tradições religiosas, filosóficas, ou mesmo de uma construção social que é passada de geração a geração, onde se pretende combater o sentimento "negativo".
Mas sentimento é sentimento. Sentimento vem de sentir. E não se pode controlar o que sente. Sentiu, e pronto! Mesmo que isso possa significar sentir raiva, inveja, medo, ciúmes, e toda uma gama de sentimentos que, em geral, são rebaixados a uma categoria do "não sentir".
O que acontece quando a gente deixa passar? Pode ser interessante em um primeiro momento, afinal, não estamos alimentando algo que não nos faz bem. Mas a realidade é outra. Não sentir significa guardar para si aquela dor, resistir à ela, causar um sintoma.
Não é à toa que, muitas vezes, recebemos pacientes que viveram situações na mais tenra idade que nem são lembradas, mas que, ao remexer nestas histórias, o sentimento vem com uma carga emocional intensa, como se tivesse acabado de viver. Ou seja, a dor está ali!
Pode até parecer que aquela situação não nos afeta, mas certamente, ela está por trás de formas disfuncionais de ver o mundo e tomar nossas decisões na vida.
Ouço muita gente dizer: "Prefiro não lembrar disso! Não vai me trazer nada de bom!" ou "O que passou, passou!" Será?? Ao dizer que prefere não lembrar, essa pessoa está dizendo implicitamente: "Isso ainda dói!" e pode parecer contraditório, mas está aí algo que precisa ser mexido.
A técnica psicológica trabalha exatamente aí, onde estão as coisas que não são ditas, são esquecidas, são escondidas, por mais que isso signifique reviver aquela dor. É isso que nos faz elaborar nossas questões, trazer novas perspectivas sobre a vida e fazer melhores escolhas.
Elaborá-las não significa apenas 'remexer no passado', é recuperar a liberdade de escolher o seu futuro.
Se você sente que guarda dores que 'não deveriam estar ali', talvez seja o momento de olharmos para elas juntos.
Vamos lá?




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